62 melhores jogos russos de todos os tempos: jogos de desenvolvedores russos
Os melhores jogos russos vão de clássicos cult para PC, como Space Rangers 2 e Heroes of Might and Magic V, a sucessos globais como Atomic Heart, Escape from Tarkov, Pathfinder e MiSide — conheça 62 grandes jogos de desenvolvedores russos para PC e consoles. Há décadas, estúdios russos criam jogos de nível internacional em praticamente todos os gêneros, e muitos deles conquistaram seu maior público no exterior. Esta lista reúne RPGs e jogos de estratégia com foco na narrativa, terror autoral, visual novels cult, jogos de estratégia, simuladores, shooters online e os clássicos que deram início a tudo. Quase todos podem ser comprados e jogados hoje, principalmente no Steam, e explicamos o que torna cada jogo especial e para quem ele é indicado.
Se você só quer uma recomendação para começar, aqui estão dez jogos russos indispensáveis: Atomic Heart, Pathfinder: Wrath of the Righteous, Pathologic 2, Escape from Tarkov, Loop Hero, MiSide, Indika, Black Book, HighFleet e Warhammer 40,000: Space Marine 2. A seguir, você encontra a lista completa, organizada por gênero.
Shooters, ação e beat 'em ups
Um bom jogo de ação depende de como cada tiro e cada golpe parecem, não da história ou da atmosfera. Os estúdios russos aprenderam a acertar em cheio nessa sensação sem copiar modelos ocidentais: em vez disso, trazem seus próprios cenários e ideias. Uma União Soviética retrofuturista, o universo grimdark de Warhammer 40,000, um apocalipse zumbi inspirado em um sucesso de Hollywood, a taiga siberiana coberta de neve e uma prisão transformada em um programa de TV mortal — os cenários não poderiam ser mais diferentes, mas todos são executados com maestria. Para compará-los aos melhores do gênero, confira nossa lista dos Melhores jogos de tiro em primeira pessoa.
Atomic Heart
Para muitos jogadores, Atomic Heart foi a maior surpresa de 2023. O shooter da Mundfish leva você a uma União Soviética alternativa dos anos 1950, onde robôs, carros voadores e uma rede neural chamada Kollektiv fazem parte do cotidiano — até que as máquinas se voltam contra seus criadores. A comparação mais próxima é com o BioShock original, e não só por causa do cenário: você luta com armas de fogo e de combate corpo a corpo, além de usar telecinese, congelamento e choques elétricos. A diversão está em combinar esses poderes.
Vale a pena explorar o mundo sem pressa. Complexos de pesquisa abandonados escondem registros de áudio e experimentos bizarros, o design dos robôs é inesquecível e a trilha sonora mistura remixes de canções pop soviéticas com faixas pesadas de Mick Gordon, compositor de Doom Eternal. Quatro DLCs de história expandiram o jogo depois do lançamento, e o terceiro, Enchantment Under the Sea, se passa até mesmo em uma cidade submarina. Leia sobre a quarta expansão em nossa análise de Atomic Heart: Blood on Crystal. Se quiser mais jogos na mesma linha, confira nossa lista dos Melhores jogos como Atomic Heart.
Warhammer 40,000: Space Marine 2
O primeiro Space Marine foi desenvolvido pela Relic Entertainment, do Canadá, mas a sequência ficou a cargo da Saber Interactive e de sua grande equipe em São Petersburgo — e acabou superando o original em quase todos os aspectos. Você volta a jogar como o Capitão Titus, dos Ultramarines, desta vez enfrentando hordas intermináveis de Tyranids, alienígenas gigantes parecidos com insetos, até que a campanha culmina em um confronto com as forças do Caos.
Warhammer 40,000: Space Marine 2 trata o universo com evidente carinho: soldados da Guarda Imperial, comissários implacáveis, tanques Leman Russ e a Deathwatch têm seus momentos. Ainda assim, o grande destaque é o combate. Os inimigos aparecem em hordas de verdade, não há muitas armas, mas todas passam uma sensação de peso e impacto, e alternar entre disparos de bolter e golpes finais com uma espada-serra nunca perde a graça. O jogo foi um dos maiores sucessos de 2024 e, depois de concluir a campanha, as operações cooperativas para três jogadores e o PvP dão motivos para voltar.
World War Z
Centenas de zumbis escalando uns sobre os outros, formando uma pirâmide viva para ultrapassar um muro — a Saber Interactive pegou essa imagem famosa do filme com Brad Pitt e a transformou no grande destaque de um shooter cooperativo em terceira pessoa. A Swarm Engine, desenvolvida pelo próprio estúdio, enche a tela com avalanches de mortos-vivos, e o esquadrão de quatro jogadores precisa trabalhar em equipe: proteger pontos de estrangulamento, posicionar torretas e arame farpado e reanimar os companheiros antes que seja tarde.
Os episódios levam você pelo mundo, de Nova York, Jerusalém, Moscou e Tóquio a Roma e Kamchatka, adicionadas na edição Aftermath. Cada classe tem uma função, seja manter a equipe viva, dizimar multidões ou distribuir munição. As partidas são curtas e intensas, e os níveis de dificuldade mais altos transformam mapas conhecidos em verdadeiros moedores de carne. World War Z é um dos jogos mais fáceis de recomendar nesta lista para uma noite com amigos. Ele também está na nossa seleção dos Melhores shooters de zumbis.
Serious Sam: Siberian Mayhem
Esta expansão independente de Serious Sam 4 foi criada pela Timelock Studio, uma equipe de modders russos que cresceu jogando a série e foi convidada pela Croteam para trabalhar em um lançamento oficial. Serious Sam: Siberian Mayhem chegou em 2022 e leva Sam Stone às regiões selvagens da Rússia: no lugar das pirâmides egípcias e das praças italianas, há florestas nevadas, vilarejos e planícies sem fim, todos tomados pelos exércitos de Mental.
A fórmula da série continua intacta e refinada: arenas abertas enormes, centenas de monstros ao mesmo tempo, os icônicos kamikazes sem cabeça e um arsenal que vai de uma espingarda de cano duplo a uma minigun. O sistema de habilidades de Serious Sam 4 também está presente, enquanto o toque local traz novos inimigos, novas armas e muitas piadas sobre o interior da Rússia, que os fãs de longa data vão entender na hora. É raro ver uma equipe de fãs não só concluir um jogo que adora, mas também entregar uma expansão que muitos jogadores consideram superior ao jogo principal.
9 Monkeys of Shaolin
9 Monkeys of Shaolin se passa na China do século XVI. Depois que piratas japoneses atacam seu vilarejo, o pescador Wei Cheng vai parar em um mosteiro, onde monges lhe ensinam artes marciais. Aos poucos, a busca por vingança dá lugar ao caminho de um guerreiro.
A jogabilidade lembra os beat 'em ups clássicos, como Streets of Rage e Double Dragon, mas dá mais ênfase à técnica. Wei Cheng luta com um bastão, executa movimentos acrobáticos e usa selos mágicos, que podem ser combinados para criar seu próprio estilo: atraia um grupo de inimigos e acerte todos com um golpe amplo. Os pontos de experiência aprimoram as habilidades que você realmente usa, fazendo seu lutador evoluir de acordo com seu estilo de jogo. Há cooperativo para dois jogadores, inclusive na mesma tela. O jogo é da Sobaka Studio, que mais tarde criou KIBORG, e é um raro beat 'em up russo que conquistou os fãs de um gênero tão de nicho.
KIBORG
No futuro, nem a morte livra você da prisão: se um detento morre, ele é reconstruído e enviado de volta para cumprir sua pena. O protagonista de KIBORG, da Sobaka Studio, equipe por trás de 9 Monkeys of Shaolin e Redeemer, foi condenado a 1.300 anos. A única maneira de reduzir a pena é participar de um programa chamado The Last Ticket. As regras são simples: há uma nave no teto da prisão e, se você conseguir abrir caminho entre hordas de outros prisioneiros e chegar até ela a tempo, estará livre.
O combate é uma mistura brutal de beat 'em up à moda antiga, shooter e roguelike: socos, armas de fogo, arremessos e golpes finais que deixam muito pouco do adversário. O grande diferencial são os implantes cibernéticos. Você arranca implantes dos inimigos derrotados e instala-os no próprio corpo, montando braços, pernas e um torso com características distintas. Assim, o mesmo herói pode ser um tanque lento em uma partida e um assassino rápido e escorregadio na seguinte. Dezenas de tipos de inimigo mantêm cada luta interessante. Música pesada, violência explícita e o espírito dos filmes de ação dos anos 2000 fazem deste jogo um prato cheio para quem sente falta de brigas contra multidões.
RPGs e jogos de estratégia
Não dá para comprar reputação em um RPG: ela é conquistada com sistemas profundos, personagens memoráveis e escolhas que fazem diferença. Os estúdios russos avançaram muito nesse gênero, passando de projetos modestos inspirados em clássicos ocidentais a jogos que criam seus próprios padrões e são comparados a Baldur's Gate e Divinity sem qualquer ressalva. Paralelamente, floresceu uma forte tradição de jogos de estratégia, de batalhas por turnos em edifícios que podem ser destruídos a incursões de guerrilheiros atrás das linhas inimigas e exércitos de mortos-vivos liderados por necromantes. Para ter uma visão mais ampla, confira nossa lista dos Melhores RPGs.
Pathfinder: Kingmaker
Pathfinder: Kingmaker foi o jogo que iniciou a ascensão da Owlcat Games à fama internacional. Este RPG isométrico de grande escala, com um grupo de personagens, usa as regras do RPG de mesa Pathfinder, descendente direto de Dungeons & Dragons 3.5. Por isso, o combate exige controlar dezenas de modificadores e confiar nos dados, enquanto a criação de personagens pode ocupar semanas. Chris Avellone, conhecido por Fallout 2 e Fallout: New Vegas, integrou a equipe de roteiristas, e isso fica evidente nos companheiros, que discutem, traem você e exigem atenção.
O que o diferencia de outros CRPGs é o seu próprio reino. Ao longo da história, um simples aventureiro se torna governante de um baronato nas Terras Roubadas e precisa administrá-lo de verdade: nomear conselheiros, construir cidades, lidar com crises e impedir que o tesouro fique vazio. A curva de aprendizado é íngreme, mas quem persiste encontra exatamente o tipo de RPG clássico que muitos sentiam falta havia anos.
Pathfinder: Wrath of the Righteous
Com a sequência, a Owlcat Games não se limitou a repetir o primeiro jogo: foi muito além. Pathfinder: Wrath of the Righteous conta a história de uma cruzada contra demônios, com companheiros bem escritos e interpretação de papéis de verdade. Muitas opções de diálogo mudam o rumo dos acontecimentos, e você pode ser um herói nobre ou alguém cruel que passa por cima de cadáveres.
A melhor ideia do jogo são os Caminhos Míticos. Em meio à guerra, seu personagem segue uma trilha lendária e se torna um anjo, um demônio, um lich ou até um azata. Essa escolha transforma suas habilidades, a reação dos companheiros e linhas inteiras de missões. As batalhas exigem atenção a tudo, das resistências dos inimigos à fadiga do grupo, e até a dificuldade normal pode ser desafiadora. Se o combate em tempo real parecer frenético demais, você pode mudar para o modo por turnos e jogar com calma.
A Owlcat agora está expandindo sua atuação para além dos RPGs isométricos, com o jogo de ação e ficção científica The Expanse: Osiris Reborn. Quer saber se o estúdio está criando seu próprio Mass Effect? Confira nossa prévia de The Expanse: Osiris Reborn.
Warhammer 40,000: Rogue Trader
Em Warhammer 40,000: Rogue Trader, a Owlcat Games coloca você no papel de um Rogue Trader, alguém com autorização especial para levar o poder do Imperium aos confins da galáxia. Você explora planetas distantes, fecha negócios lucrativos, trama contra rivais e participa de batalhas entre naves espaciais.
A maior parte do tempo, porém, é dedicada ao combate terrestre, que lembra bastante XCOM: os soldados se protegem, trocam tiros a longa distância, enfrentam inimigos corpo a corpo e usam habilidades especiais. A composição do esquadrão importa — franco-atiradores e psíquicos ficam na retaguarda, enquanto Space Marines e Sisters of Battle se destacam no meio da ação. Os companheiros têm personalidades marcantes e vivem em conflito, de um inquisidor fanático a uma Aeldari exilada, e suas reações às suas decisões formam uma trama à parte. A expansão Infinite Museion adicionou melhorias cibernéticas, uma nova companheira e uma grande missão inédita. Vale a pena conferir não só para os fãs de Warhammer, mas também para quem adora um bom RPG tático.
ATOM RPG
Em 2017, os desenvolvedores da AtomTeam lançaram sua própria versão da fórmula clássica de Fallout. Perspectiva isométrica, deserto nuclear e um sistema profundo de interpretação de papéis, com habilidades e vantagens — ATOM RPG aproveitou o melhor de suas inspirações e acrescentou uma grande novidade: o cenário soviético. O mundo está em ruínas após uma guerra nuclear, e você joga como um agente da organização secreta ATOM, enviado para encontrar uma expedição desaparecida.
A atmosfera soviética conquista você em poucos minutos: tapetes nas paredes, telhados de ardósia, roupas secando nos pátios e personagens com nomes inconfundivelmente russos. Em geral, as missões têm várias soluções, desde convencer alguém na conversa até partir para o tiroteio, e o combate por turnos pune qualquer descuido. Para jogadores ocidentais, ATOM RPG oferece um deserto que parece familiar e completamente exótico ao mesmo tempo, com muito humor sombrio. Reunimos mais jogos nessa linha em nossa lista dos Melhores jogos pós-apocalípticos soviéticos.
ATOM RPG: Trudograd
ATOM RPG: Trudograd começou como uma expansão e acabou se tornando uma sequência independente que supera o original em muitos aspectos. A ação se passa em Trudograd, uma grande cidade sobrevivente no leste do deserto pós-soviético, onde o protagonista busca uma maneira de impedir uma nova catástrofe. A cidade é a verdadeira estrela: cheia de camadas, densamente povoada e repleta de facções e missões que quase sempre têm mais de uma solução. O combate é mais rápido e flexível, com novas habilidades e equipamentos, enquanto o humor sombrio característico e a ambientação soviética permanecem intactos. Também é um bom ponto de partida para quem não jogou o primeiro, pois a história faz sentido por conta própria.
Encased
Na esteira de Fallout, Encased , da Dark Crystal Games, também merece um lugar nesta lista. A história se passa em uma versão alternativa dos anos 1970: no meio de um deserto, há uma enorme Cúpula de origem desconhecida, na qual qualquer pessoa pode entrar, mas ninguém consegue sair. A corporação CRONUS envia pessoas para investigar os artefatos dos misteriosos Precursores — até que uma catástrofe transforma a organizada cidade de pesquisa em um deserto devastado.
Você escolhe uma das divisões da corporação, de cientistas e engenheiros à segurança e aos condenados recrutados para os trabalhos mais perigosos. Essa escolha define suas habilidades iniciais e a forma como os outros tratam você. Cada decisão tem consequências mais adiante, as relações com as facções mudam o mundo e o combate por turnos recompensa o planejamento cuidadoso. O jogo respeita as tradições de Fallout, de 1997, mas as envolve em uma estética própria de ficção científica retrô.
Silent Storm
Silent Storm , da Nival, é um jogo de tática por turnos ambientado na Segunda Guerra Mundial que, em 2003, mostrou todo o potencial de ambientes totalmente destrutíveis. Rajadas de tiros crivam as paredes, granadas derrubam pisos e um franco-atirador no segundo andar pode acabar no térreo junto com o teto. Se houver uma emboscada atrás de uma porta, basta abrir um buraco na parede ao lado dela.
Seu esquadrão é formado por especialistas — franco-atiradores, batedores, médicos, granadeiros e engenheiros — e cada missão exige que você planeje cada passo: quem dá cobertura, quem entra pela janela, quem protege a escada. Nas campanhas dos Aliados e do Eixo, você enfrenta uma organização secreta chamada Thor's Hammer e, perto do fim, a história envereda pelo dieselpunk, com armaduras motorizadas Panzerklein. O jogo continua sendo uma referência em tática com cenários destrutíveis, lembrada até hoje pelos fãs do gênero. No Steam, você pode comprar a Gold Edition com a expansão Sentinels. Para mais pérolas de estratégia por turnos, confira nossa lista dos Melhores Jogos Táticos.
Partisans 1941
Partisans 1941 é um jogo de tática em tempo real nos moldes do clássico Commandos, mas sobre um grupo de guerrilheiros atrás das linhas alemãs. O comandante do Exército Vermelho Alexey Zorin escapa do cativeiro e reúne um grupo de combatentes, cada um com suas próprias especialidades e habilidades. Entre as missões, o esquadrão vive em um acampamento na floresta, que você precisa desenvolver, abastecer com comida e preencher com as pessoas certas.
Nas missões, furtividade é fundamental: distraia uma patrulha, elimine um sentinela em silêncio, coloque minas numa estrada e suma na mata antes que cheguem os reforços. É possível lutar às claras usando cobertura e pausa tática, mas a munição é sempre escassa e um ataque frontal costuma custar vidas. É um dos jogos de tática russos mais subestimados e uma ótima pedida para quem terminou Shadow Tactics e Desperados III e quer mais do mesmo em um cenário bem diferente.
Ash of Gods: Redemption
Ash of Gods: Redemption combina tática por turnos, visual novel e elementos roguelite. Não é à toa que costuma ser comparado a The Banner Saga: os dois acompanham um pequeno grupo em uma jornada por um mundo moribundo e apresentam decisões dolorosas pelo caminho. Três histórias se entrelaçam, e a grande reviravolta é que a morte de um personagem não encerra o jogo: a história continua sem ele, mas não se esquece da perda. No combate, a vida também serve como recurso para habilidades especiais, junto com cartas que concedem bônus; assim, cada turno envolve uma troca entre risco e recompensa. A arte desenhada à mão e o cenário medieval sombrio tornam o jogo reconhecível logo de cara.
Iratus: Lord of the Dead
Iratus: Lord of the Dead é Darkest Dungeon às avessas: em vez de jogar com os heróis, você controla Iratus, um necromante ancestral que tenta sair das profundezas e voltar à superfície. Seu exército é montado com o que estiver à mão: os restos de aventureiros caídos viram esqueletos, vampiros, banshees e mais de uma dúzia de outros tipos de mortos-vivos, cada qual com habilidades próprias. Em vez de atacar a vida dos inimigos, você pode atacar sua sanidade, e enlouquecer os heróis funciona tão bem quanto eliminá-los. Melhorar o próprio Iratus, criar lacaios com partes de corpos e construir a masmorra abre espaço para dezenas de estilos de jogo, enquanto os comentários sarcásticos do vilão dão leveza até às partidas mais difíceis.
Terror e jogos autorais
Um bom jogo de terror trabalha com aquilo que não mostra: ansiedade, apreensão, a sensação de que o chão está desaparecendo sob seus pés. Os jogos russos de terror seguem justamente essa linha: monstros raramente saltam de esquinas escuras; em vez disso, o mundo vai deixando de fazer sentido aos poucos. É o gênero em que os jogos russos mais se destacam internacionalmente: MiSide, Hello Neighbor e No, I'm Not a Human viraram sucessos globais, e Indika conquistou prêmios em festivais internacionais. Ao lado deles, há contos de fadas sombrios enraizados no folclore e uma história de detetive em que o mais assustador é o seu próprio rosto. Para conhecer o gênero em geral, confira nossa lista dos Melhores Jogos de Terror.
Pathologic 2
Pathologic 2 é um RPG de terror com mecânicas de sobrevivência e uma reimaginação feita do zero de Pathologic, o clássico cult de 2005 da Ice-Pick Lodge, adorado por sua ousadia e detestado justamente pelo mesmo motivo. O original também está disponível no Steam em uma edição HD, mas o segundo jogo é o melhor ponto de partida.
O cenário é o coração de tudo. Uma misteriosa cidade das estepes é atingida por um surto de uma doença desconhecida, e o cirurgião que você controla tem apenas doze dias. O mundo segue seu próprio relógio: bairros são infectados, o exército chega, pessoas que você conhece morrem, e é preciso administrar a fome, a sede, o cansaço e a imunidade. É impossível salvar todo mundo, e cada decisão — quem recebe o remédio e quem fica para trás — determina quem ainda estará vivo no dia seguinte. O mundo tem algo em comum com Bloodborne, e a atmosfera envolve você com tanta força que é difícil largar o jogo.
Pathologic 3
Pathologic 3 é o próximo capítulo da série e, pela primeira vez, você joga como o Bachelor, Daniil Dankovsky, um médico da capital que chega à cidade assolada pela peste em busca do segredo da imortalidade. Ele tem 12 dias para tratar pacientes, impor quarentenas e lidar com as três famílias que governam o lugar.
A principal mecânica é a viagem no tempo: você pode viver os dias fora de ordem, voltar para corrigir um erro e salvar alguém que perdeu. Esse poder consome recursos, e o estado mental de Dankovsky, que oscila entre a apatia e a mania, muda diretamente a forma de jogar — em um estado de espírito, ele mal consegue arrastar os pés; em outro, está prestes a perder o controle. O jogo foi lançado em janeiro de 2026 e se mostrou bem mais acessível para novatos que Pathologic 2, sem perder o peso característico da série. Analisamos o jogo mais de perto na nossa análise de Pathologic 3.
MiSide
MiSide usa uma fórmula simples: começa como um simulador de namoro e termina como um jogo de terror completo. Já vimos algo parecido em Doki Doki Literature Club!, mas o charme de MiSide está em Mita, que parece uma adorável garota de anime de um jogo para celular — e é justamente por isso que fica ainda mais perturbador ver algo muito errado transparecer por trás de sua fachada acolhedora. O protagonista fica preso dentro do jogo e encontra outras versões de Mita, cada uma com suas peculiaridades e sua própria visão do “convidado”. Alguns jogadores até interpretam essas transformações como uma metáfora para relacionamentos. Dá para terminar em algumas noites, o ritmo nunca se arrasta e o jogo se tornou um dos lançamentos russos mais comentados da década de 2020.
Em nossa análise de MiSide, discutimos se o sucesso merece toda essa popularidade. E, se quiser mais, confira nossa lista de Jogos parecidos com MiSide.
No, I'm not a Human
No, I'm not a Human é um jogo de terror psicológico ambientado em um mundo onde o sol se tornou mortal e ninguém pode sair de casa durante o dia. À noite, sobreviventes batem à sua porta — assim como criaturas que apenas fingem ser humanas, os “Visitantes”. Seu trabalho é diferenciá-los antes que seja tarde: examine dentes, olhos e mãos, preste atenção a contradições em suas histórias, acompanhe as notícias na TV e decida quem pode passar a noite dentro de casa e quem fica do lado de fora.
Qualquer erro pode custar uma vida, mas desconfiar de todo mundo também não ajuda: a solidão e a fome matam tão certo quanto os impostores. A paranoia e a busca por pistas funcionaram tão bem que clipes de gameplay viralizaram nas redes sociais antes mesmo do lançamento. O jogo da Trioskaz saiu em 2025 e se tornou um dos jogos indie de terror mais comentados do ano. Saiba mais na nossa análise de No, I'm Not a Human.
Hello Neighbor
Hello Neighbor prova que um jogo pode ser detonado pela crítica e, ainda assim, conquistar milhões de fãs. Desenvolvido pelo estúdio moscovita Dynamic Pixels, é um jogo de terror e furtividade sobre invadir a casa do vizinho sinistro para descobrir o que ele esconde no porão. A IA do vizinho aprende com seu comportamento: se você sempre usa a mesma janela, espere encontrar uma câmera ou uma armadilha de urso da próxima vez — e uma emboscada logo ali na esquina.
Os críticos reclamaram dos bugs e dos quebra-cabeças ilógicos, mas crianças e streamers não se importaram nem um pouco: os vídeos de gameplay do vizinho viraram um dos maiores fenômenos do YouTube no fim da década de 2010. O pequeno jogo indie cresceu e se tornou uma franquia multimídia completa, com o prelúdio Hide and Seek, uma sequência, o spin-off multiplayer Secret Neighbor, livros e animações. A casa do vizinho, com seus andares e anexos absurdamente empilhados, é reconhecível de imediato. Se você curte jogos em que o objetivo é não ser pego, confira nossa lista dos Melhores Jogos de Furtividade de Todos os Tempos.
Who's Lila?
Who's Lila? é um jogo de investigação às avessas, em que a principal ferramenta é o rosto do personagem. O estudante do ensino médio William Clarke foi a última pessoa a ver Tanya Kennedy, uma garota desaparecida, e agora precisa responder a perguntas bastante incômodas. O problema é que William não consegue expressar emoções sozinho; por isso, você literalmente conversa por meio de expressões faciais: arraste as sobrancelhas, os lábios e as pálpebras dele com o mouse, e as pessoas reagem ao seu rosto como se fosse real. Sorria na hora errada e a suspeita aumenta; faça cara de medo no momento certo e uma testemunha deixa escapar um detalhe importante.
O visual em preto e branco, inspirado na estética dos primórdios da internet, os sonhos perturbadores, os vários finais, os segredos escondidos até fora do jogo e o mistério central sobre quem Lila realmente é transformam essa curta aventura em um quebra-cabeça que os fãs continuam desvendando anos depois. É um projeto solo do desenvolvedor russo Garage Heathen, lançado em 2022, e um dos jogos mais estranhos e inventivos desta lista.
One-Eyed Likho
One-Eyed Likho é uma aventura mística em primeira pessoa da Morteshka, estúdio de Perm responsável por Black Book e The Mooseman. O jogo se baseia em um conto popular sombrio registrado no século XIX: cansado de uma vida amarga, um ferreiro parte com seu amigo alfaiate em busca de Likho para mudar seu destino — mas acaba em um mundo misterioso onde se encontram contos de fadas de todos os povos.
Sua principal ferramenta é uma caixa de fósforos sem fim: o fogo ilumina o caminho e ajuda a resolver quebra-cabeças em um antigo templo de crenças esquecidas. Ao longo da jornada, o ferreiro reúne o Livro dos Mundos, uma coleção de contos sobre gigantes de um olho só de diferentes culturas, de Polifemo a Oghuz Basat. Em alguns trechos, você precisa se esconder da própria Likho e fugir — e essas cenas são realmente assustadoras. O visual cinematográfico em preto e branco, com outros estilos de filme disponíveis nas configurações, dá ao jogo ares de um antigo filme de contos de fadas. Lançado em 2025, combina perfeitamente com Black Book para quem gosta de folclore eslavo tratado com seriedade.
Indika
Indika se passa em uma versão alternativa da Rússia no fim do século XIX. Sua protagonista é uma jovem freira enviada em uma missão pelo convento, que cruza o caminho de um condenado fugitivo. Indika está passando por uma crise de fé e ouve uma voz debochada em sua cabeça, muito parecida com a do diabo, que comenta cada passo seu e faz perguntas que realmente merecem reflexão.
O jogo prende a atenção com cenários ao mesmo tempo familiares e ligeiramente inquietantes, além de inserções repentinas em pixel art inspiradas nos jogos dos anos 1990. Os desenvolvedores dizem ter se inspirado em Bulgakov e Dostoiévski. Indika ganhou prêmios em festivais internacionais e foi indicado ao The Game Awards 2024 na categoria Games for Impact. É uma boa pedida para fãs de aventuras narrativas modernas em que você passa a maior parte do tempo caminhando, observando e ouvindo, com apenas alguns quebra-cabeças ocasionais. Vale mencionar que o estúdio Odd Meter se mudou para o Cazaquistão antes do lançamento, mas as raízes do jogo são russas.
Knock-Knock
O objetivo de Knock-Knock parece simples: sobreviver até o amanhecer. Considerando o gênero, é mais fácil falar do que fazer. O protagonista, um recluso guardião de uma velha casa na floresta, sofre de insônia e já não consegue distinguir o que é real do que é sonho.
As luzes da casa vivem se apagando, e você precisa acendê-las de novo, porque quanto menos conseguir enxergar, mais perigosas as coisas ficam. Visitantes surgem da escuridão, e você não pode enfrentá-los: só dá para se esconder atrás de um guarda-roupa ou debaixo da cama e torcer para que passem. Alguns objetos ajudam a acelerar o tempo. Esse experimento da Ice-Pick Lodge, criadora de Pathologic, divide opiniões, mas não há outro jogo de terror como ele. Leia mais na nossa análise de Knock-Knock.
Torn Away
Torn Away , do estúdio perelesoq, conta a história de Asya, uma menina de nove anos arrancada de casa pela guerra e levada para a Alemanha. Ela decide voltar para casa a qualquer custo e atravessa uma Europa devastada pela guerra, acompanhada pelo Sr. Frost — talvez um espírito de conto de fadas, talvez fruto da imaginação de uma criança —, que a encoraja, discute com ela e a ajuda a superar os piores momentos.
O jogo mistura gêneros: trechos de plataforma com rolagem lateral, fases cinematográficas em primeira pessoa e exploração tranquila, intercalados por momentos de sobrevivência, como se esconder de uma patrulha, encontrar comida ou passar uma noite congelante ao relento. Os acontecimentos adultos são mostrados pelos olhos de uma criança, sem violência explícita, mas também sem amenizar a realidade — e isso torna a história ainda mais impactante. Lançada em 2023, a aventura conquistou prêmios em festivais de jogos e é uma experiência curta e emocionante sobre a guerra, que dá para terminar em algumas noites.
Jogos de Sobrevivência
Os desenvolvedores russos logo perceberam que jogos de sobrevivência não se resumem às mecânicas, mas à desesperança e às pequenas vitórias que conseguem rompê-la. Os melhores jogos russos de sobrevivência sempre têm algo próprio: um mundo bizarro, humor negro ou uma atmosfera opressiva que prende mais do que qualquer indicador de fome. Aqui você encontrará um trem atravessando o vazio entre mundos, um ferro-velho orbital com uma galinha imortal e uma estação polar onde dormir pode ser fatal. Para mais opções, confira nossa lista dos melhores jogos de sobrevivência para PC.
Voidtrain
Voidtrain , da HypeTrain Digital, é um jogo de sobrevivência ambientado em um universo estranho chamado Void, onde não há chão: apenas um abismo infinito, com trilhos que se estendem entre ilhas flutuantes e fragmentos de outros mundos. Seu lar e principal recurso é o próprio trem, que começa como uma velha dresina enferrujada e aos poucos se transforma em um comboio com vagões, oficinas, canteiros de cultivo e torretas.
Você pesca recursos com um gancho enquanto o trem está em movimento ou os coleta nas paradas, onde monstros agressivos e cultistas estranhos estão à sua espera. A comparação mais próxima é Raft, só que com um trem no lugar da jangada e o vazio entre mundos no lugar do oceano. O jogo saiu do acesso antecipado com seu lançamento completo em 2025 e oferece modo cooperativo, o que torna bem mais divertido construir um trem blindado e enfrentar as criaturas.
Breathedge
Breathedge é outro jogo de sobrevivência, mas se destaca por não se levar a sério. Em vez de criar tensão, a RedRuins Softworks enche o jogo de piadas. O protagonista levava as cinzas do avô a um cemitério espacial quando a nave caiu. Agora, precisa sobreviver em um ferro-velho orbital infinito e construir um traje espacial, uma base e uma nave com sucata.
Uma galinha imortal vive no seu inventário e também serve como ferramenta. O principal recurso é a fita adesiva, que conserta absolutamente tudo. O oxigênio acaba depressa, então as primeiras incursões parecem uma corrida nervosa de um tanque ao outro, mas o sistema de criação é tão variado que, com o tempo, você vai montar uma nave espacial inteira com sucata com o maior prazer. Se você já jogou Subnautica, muita coisa será familiar — só que você vai rir bem mais. A sequência, Breathedge 2, entrou em acesso antecipado em 2026, com o mesmo humor em escala maior — confira nossa prévia de Breathedge 2.
The Final Station
The Final Station é um jogo de sobrevivência em pixel art sobre um maquinista que atravessa um mundo à beira do colapso. O ritmo se constrói no contraste: durante a viagem, você conserta os sistemas do trem, que vivem falhando, e mantém vivos os passageiros resgatados; nas estações, explora prédios escuros em busca de suprimentos e dos códigos necessários para liberar a linha. É aí que o horror começa: a munição é escassa, a escuridão está infestada de infectados e cada cadáver com um bilhete revela um fragmento da catástrofe. A história se desenrola sem uma única cena cinematográfica, apenas por meio do ambiente e de fragmentos da vida de outras pessoas. O jogo da Do My Best conquistou um público cult entre fãs de sobrevivência atmosférica, e a mesma equipe criou The Bookwalker mais tarde.
Distrust
Distrust é um jogo de sobrevivência inspirado em The Thing, de John Carpenter: uma estação polar, um helicóptero acidentado e uma equipe que precisa resistir até a chegada do resgate. Sua principal sacada é a mecânica do sono. Não dá para ficar sem dormir — os personagens perdem a sanidade, a tela se distorce e a interface começa a mentir para você. Mas, se pegar no sono, algo desperta por perto e mata quem estiver dormindo. Você passa o jogo inteiro equilibrando o cansaço e o risco enquanto vasculha prédios congelados, conserta geradores e divide suprimentos escassos entre sobreviventes com personalidades e habilidades diferentes. É compacto, tenso e captura perfeitamente a paranoia gelada.
Jogos narrativos e de cartas
Uma história contada em um jogo fica com você de um jeito diferente do que acontece com um livro ou filme, porque é você quem toma as decisões e lida com as consequências. Os desenvolvedores russos dominam esse equilíbrio, especialmente quando recorrem à própria história e mitologia. Duelos de cartas contra espíritos malignos, uma jornada pela mitologia fino-úgrica, a vida de um nobre em uma sociedade rigidamente dividida em classes, um escritor que rouba livros alheios e um administrador de prédio que espiona os inquilinos — cada um desses jogos encontrou uma maneira própria de contar uma história, e muitos se tornaram cartões de visita do desenvolvimento independente russo no exterior.
Black Book
Black Book é um RPG de cartas ambientado no distrito de Cherdyn, na Rússia do século XIX. Sua protagonista, Vasilisa, decide se tornar uma feiticeira para trazer de volta à vida o noivo falecido e abre um livro proibido que exige que ela quebre sete selos. A magia da ressurreição é difícil de dominar, então, primeiro, ela precisa aprender feitiços mais simples e enfrentar dezenas de monstros e outros feiticeiros em duelos de cartas.
Black Book não se prende a um único gênero: além das batalhas de cartas, nas quais os feitiços se combinam em combos, há escolhas de RPG, vida na aldeia e elementos de visual novel. Os mitos eslavos se entrelaçam com a realidade da Rússia pré-revolucionária, e todos os espíritos e rituais vêm de contos populares autênticos da região de Perm — a Morteshka trabalhou com etnógrafos. O jogo conquistou reconhecimento muito além da Rússia. Reunimos mais jogos inspirados no folclore eslavo em nossa lista dos melhores jogos de mitologia eslava.
The Mooseman
The Mooseman é uma jornada meditativa pelos três mundos da mitologia fino-úgrica. Você controla o Mooseman, um xamã capaz de enxergar o mundo espiritual oculto sobreposto ao mundo comum, e alternar entre essas duas camadas da realidade é a mecânica central. Uma pedra que bloqueia seu caminho em um mundo pode ser um espírito adormecido no outro, e uma trilha aparentemente inofensiva pode levar direto à boca de um monstro. Pelo caminho, você encontra espíritos, ídolos e criaturas das lendas de Chud, e cada artefato encontrado vem acompanhado de uma nota sobre o mito real que o inspirou. Este foi o primeiro jogo da Morteshka, que depois criou Black Book — curto, lindo e diferente de tudo.
The Life and Suffering of Sir Brante
The Life and Suffering of Sir Brante é apresentado como as páginas de um livro ilustrado. A trama se passa no Império de Arknian, que lembra um país europeu da época do Renascimento, com divisões rígidas entre classes e guerras religiosas. No centro está a vida de Sir Brante, do nascimento à morte, e nenhuma escolha pode ser desfeita.
O maior trunfo do jogo é a quantidade de caminhos que a história pode tomar. Seu herói pode continuar nobre, entrar para a igreja ou se aliar aos rebeldes, e cada rota traz dezenas de ramificações que moldam o destino da família dele e de todo o Estado. Os gráficos são simples, mas cheios de estilo, e a dificuldade aumenta bastante perto do fim, quando uma única decisão errada pode custar a vida do protagonista. O jogo do estúdio Sever ainda é debatido e analisado em fóruns de língua inglesa — um raro exemplo de RPG russo focado em texto que realmente chamou atenção no exterior.
The Bookwalker: Thief of Tales
The Bookwalker: Thief of Tales vem dos criadores de The Final Station e parte de uma ideia rara até mesmo pelos padrões mundiais: o protagonista é um escritor proibido de escrever que, como punição, rouba artefatos de livros alheios. Cada livro é um mundo à parte, com suas próprias regras — uma prisão de inverno eterno, um navio no deserto, uma usina nuclear. Dentro dos livros, o jogo vira uma aventura isométrica com quebra-cabeças e combates por turnos; fora deles, é uma aventura em primeira pessoa pelo apartamento apertado do protagonista. As conversas bem-humoradas com seu parceiro sarcástico, Roderick, e os saltos constantes entre realidades levam você até o fim. É um dos jogos independentes russos mais inventivos.
7th Sector
7th Sector é um jogo cinematográfico de quebra-cabeças criado por Sergey Noskov, que construiu sozinho uma cidade cyberpunk inteira, banhada em neon. Você não controla um personagem, mas um sinal elétrico: percorre fios e assume o controle de dispositivos, drones e máquinas, cada qual com habilidades próprias. Os quebra-cabeças dependem de lógica, física e atenção, e o sombrio mundo totalitário conta sua história sem uma única palavra, apenas por meio do ambiente. Vários finais dependem de decisões discretas que você toma pelo caminho. É a escolha perfeita para algumas noites se você adorou Inside e Limbo. E, se gosta de ficção científica sombria, não perca nossa lista dos melhores jogos cyberpunk.
Beholder
Beholder é uma distopia orwelliana em que você administra um prédio de apartamentos e, nas horas vagas, atua como informante do Estado. Sua principal tarefa é descobrir os podres dos inquilinos: você escuta ligações telefônicas, espia pelo buraco da fechadura, vasculha apartamentos às escondidas e até instala câmeras ocultas.
O Estado totalitário exige relatórios, mas cabe inteiramente a você obedecer, sabotá-los ou tirar proveito dos vizinhos. Denuncia um vizinho para avançar na carreira ou encobre suas ações e coloca a própria família em risco? Cada decisão afeta alguém, e sempre há alguém que sai prejudicado. A Warm Lamp Games, de Barnaul, tocou em um ponto sensível: esses dilemas morais tornaram o jogo famoso no mundo todo, e ele se transformou em uma franquia, com sequências e versões para consoles e celulares.
Beholder 2
Em Beholder 2, os riscos são ainda maiores. Você deixa de ser o administrador de um prédio e passa a ser um funcionário iniciante de um Ministério gigantesco, disposto a quase tudo para subir na carreira, desde o guichê de recebimento de documentos até um escritório no último andar.
O mundo é uma distopia em que a vigilância total é rotina e as pessoas não podem fazer nem metade do que gostariam. O grande atrativo são os dilemas morais que surgem sempre que você vê colegas ou visitantes infringindo as regras. Denuncia, fica calado ou usa o que sabe em benefício próprio? Suas escolhas afetam não só o final, mas também a própria jogabilidade, então cada passo precisa ser bem pensado — seus rivais no Ministério também não estão parados.
Visual novels
O cenário russo das visual novels acabou se revelando, para surpresa de muitos, um dos mais fortes fora do Japão. Everlasting Summer se tornou um fenômeno internacional que ainda inspira mods e criações de fãs, Tiny Bunny virou uma das visual novels de terror mais comentadas, e os contos experimentais curtos de autores russos aparecem regularmente no topo das paradas do Steam. Há pouca jogabilidade no sentido tradicional, mas as histórias não vão deixar você em paz. Para saber mais, confira nossa lista das melhores visual novels.
Everlasting Summer
Everlasting Summer é uma história sobre um acampamento soviético de pioneiros, embalada em nostalgia da infância. O protagonista adormece em um ônibus de inverno e acorda no verão, no acampamento Sovyonok, sem fazer ideia de como foi parar lá. Você encontrará chalés de madeira, orientadores rígidos, primeiros amores e um clima ensolarado e despreocupado, com um mistério que vai surgindo aos poucos sob essa superfície. A trama e o final dependem das suas escolhas, e cada protagonista tem sua própria rota.
O jogo é gratuito e, se o conteúdo básico não for suficiente, há uma enorme comunidade de modders que adiciona personagens, tramas e rotas novas. Para muitos jogadores de fora da Rússia, esta foi a primeira visual novel russa que jogaram — e a que os levou a procurar outras.
Tiny Bunny
Tiny Bunny aposta bastante na nostalgia dos anos 1990, tanto no cenário quanto em pequenos detalhes, como a mãe repreendendo o filho e dizendo que o videogame vai estragar a televisão. Mas o clima geral está longe de ser alegre. Anton, um estudante, se muda com a família para uma aldeia no meio de uma floresta invernal. Logo, crianças começam a desaparecer, e as conversas sempre acabam voltando aos animais estranhos que vivem por perto. Fica o aviso: algumas cenas podem ser realmente chocantes.
A visual novel foi lançada em episódios ao longo de vários anos, e o capítulo final chegou em 2025, então agora é possível jogar a história toda do início ao fim. As escolhas têm peso de verdade e levam a finais bem diferentes. O jogo é baseado em um conto de Dmitry Mordas, que vale a leitura se o universo de Tiny Bunny conquistar você. Falamos do jogo em detalhes na nossa análise de Tiny Bunny.
Milk inside a bag of milk inside a bag of milk
Milk inside a bag of milk inside a bag of milk é uma visual novel experimental de 20 minutos, criada por Nikita Kryukov, sobre uma garota cuja mãe a manda comprar leite — e sobre como esse trajeto pode ser assustador e parecer enorme para alguém que vive com ansiedade. Você é a voz na cabeça dela e escolhe se vai apoiá-la ou afundá-la ainda mais. A paleta vermelha tóxica, a tipografia fragmentada e o texto poético criam um efeito que nenhum jogo «grande» consegue reproduzir. A sequência, Milk outside a bag of milk outside a bag of milk, é mais longa e variada. Jogue as duas em seguida: juntas, elas formam uma das histórias mais contundentes do gênero.
Jogos online e MMOs
Jogos online são um negócio implacável: eles duram enquanto têm público e morrem no instante em que os jogadores vão embora. Os projetos russos desta seção sobreviveram e cresceram — alguns estão no ar há mais de dez anos, recebem atualizações regulares e reúnem jogadores do mundo todo. Isso não é sorte, mas resultado de anos de trabalho. Quase todos são gratuitos; a única exceção é Escape from Tarkov. Para conhecer grandes sucessos online internacionais e compará-los, confira nossa lista dos melhores MMOs para jogar.
War Thunder
War Thunder , da Gaijin Entertainment, foi lançado em 2012 e conquistou rapidamente jogadores do mundo todo. Você pode pilotar caças e helicópteros, comandar um navio de guerra ou provar seu valor em terra, dentro de um tanque. Os jogadores adoram especialmente as batalhas combinadas, nas quais tanques e pilotos combatem no mesmo mapa e dão cobertura uns aos outros.
É um dos jogos militares online mais populares do mundo, e seu catálogo de veículos abrange um século inteiro de história militar, dos biplanos aos jatos modernos e tanques de batalha principais. Os novatos podem começar pelas batalhas Arcade, enquanto os veteranos avançam para os modos Realista e Simulador, com controles manuais e balística realista. Para saber mais, leia nossa análise de War Thunder.
Escape from Tarkov
Depois de muitos anos em acesso antecipado, Escape from Tarkov foi lançado oficialmente. A Battlestate Games praticamente inventou o gênero de extração: você entra em um local com uma mochila e precisa sobreviver e sair de lá com o saque. O coração do jogo são os encontros com outros jogadores, que deixam tudo à flor da pele, pois morrer significa perder tudo o que você levou. O realismo chega ao extremo: a balística é calculada para cada bala, um ferimento na perna reduz sua velocidade, um tiro no braço prejudica sua mira e um tiro na cabeça encerra a incursão na hora.
Além dos tiroteios, há uma economia, progressão de personagem, missões de comerciantes e saques que você vai odiar perder — foi justamente o medo de perder tudo que tornou o jogo viral. Desde então, dezenas de jogos pelo mundo adotaram a fórmula de extração. Em 2025, Escape from Tarkov chegou ao Steam. Leia nossa análise de Escape from Tarkov, escrita após 15.000 horas de jogo.
Crossout
Crossout é um jogo de ação MMO pós-apocalíptico da Targem Games, sediada em Ecaterimburgo, cujo grande destaque é a criação de veículos de combate. Centenas de peças permitem montar praticamente qualquer coisa: um buggy ágil com uma serra, uma fortaleza sobre esteiras com um obuseiro, um andador ou um aerodeslizador. Cada peça tem seu próprio modelo físico e pode ser arrancada de verdade, então você pode deixar um inimigo sem rodas ou armas sem destruir o veículo inteiro. Suas criações lutam em batalhas PvP e incursões, e projetos bem-sucedidos são compartilhados com outros jogadores em uma galeria dentro do jogo. O jogo mantém uma base de jogadores fiel há anos, e construir veículos é tão viciante quanto lutar. Saiba mais em nossa análise de Crossout.
Allods Online
Allods Online é um dos MMORPGs russos mais importantes e dá continuidade à cultuada série Allods, iniciada pela Nival nos anos 1990. O mundo de Sarnaut está fragmentado em ilhas, ou allods, que flutuam no vazio astral, e é o astral que torna o jogo especial: você pode viajar entre as ilhas em seu próprio navio, enfrentar demônios e outros jogadores e procurar terras desconhecidas. Em terra, é um MMORPG clássico com duas facções rivais — a Liga e o Império, este último com uma estética claramente inspirada na União Soviética —, além de incursões e progressão de nível. O jogo está no ar há mais de quinze anos, sobreviveu a mudanças de distribuidora e continua recebendo atualizações, uma longevidade rara para o gênero.
STALZONE
STALZONE é um jogo de tiro MMO que surgiu como um pequeno projeto de fãs e se transformou em um universo próprio (o jogo já se chamou STALCRAFT). Seu estilo visual engana: por trás dos gráficos voxel, que parecem feitos de blocos, há um sério jogo de extração em mundo aberto. A Zona é dividida em áreas PvE e regiões de fronteira perigosas, onde é preciso enfrentar jogadores de verdade pelo saque. Anomalias, artefatos, mutantes e guerras entre facções estão todos presentes, além de grandes atualizações regulares. O jogo tem uma comunidade grande e fiel, e as guerras de clãs por território viram assunto de debates nos fóruns por semanas.
Estratégia, simulação e corrida
Jogos de estratégia e simuladores são gêneros em que os erros custam caro e cada decisão desencadeia uma série de consequências. Os jogos russos desse nicho ou colocam você diante de dilemas morais — não «como vencer», mas «a que custo» — ou exigem um nível de detalhe que conquista até os fãs mais exigentes. Aqui você encontra jogos de guerra clássicos da Segunda Guerra Mundial, um roguelike em que não é possível controlar o herói, caminhões atolados na lama e um simulador de drift que ensinou milhares de jogadores do mundo todo a fazer o carro deslizar. Para conhecer mais, confira nossa lista dos melhores jogos de estratégia.
Loop Hero
Loop Hero é um roguelike incomum em que você nunca controla o herói diretamente. Você escolhe o equipamento e a classe dele, mas ele percorre sozinho um caminho circular, enquanto você usa cartas para construir o mundo ao seu redor: vilarejos, bosques, montanhas e mansões de vampiros. O terreno determina o que o cavaleiro encontrará — um local de descanso, uma missão ou um grupo de monstros —, e derrotá-los rende experiência e saque. O mundo também muda com o tempo: por exemplo, se você repelir um ataque de carniçais a um vilarejo, ele ganhará proteção extra.
As cartas são distribuídas aleatoriamente, então é preciso pensar rápido e ajustar o plano o tempo todo. Construir demais pode sair pela culatra quando vampiros de uma mansão mal posicionada massacram o vilarejo mais próximo. Esse ritmo de planejar, arriscar e lidar com as consequências se mostrou extremamente viciante: Loop Hero foi um dos maiores sucessos independentes de 2021 e concorreu a Melhor Jogo Independente no The Game Awards. Confira outros jogos do gênero em nossa lista dos melhores jogos roguelike.
HighFleet
HighFleet é um jogo de estratégia dieselpunk de Konstantin Koshutin, ambientado nos desertos de uma Ásia Central alternativa, onde uma frota de enormes navios de guerra voadores se enfrenta. O jogo combina elementos que não deveriam funcionar juntos: uma campanha global com linhas de suprimento e diplomacia; interceptação de rádio, na qual você realmente decifra as transmissões inimigas; pousos manuais de naves gigantes no convés de um porta-aviões; e duelos de artilharia arcade em que as naves se despedaçam compartimento por compartimento. Cada nave pode ser reconstruída em um editor, até a última placa de blindagem. O estilo visual único, que lembra o painel de instrumentos de um equipamento soviético, torna HighFleet reconhecível à primeira vista, e o jogo conquistou uma merecida legião de fãs cult.
Blitzkrieg
Blitzkrieg , da Nival, é um clássico jogo de estratégia em tempo real sobre a Segunda Guerra Mundial que estabeleceu um novo padrão para jogos de guerra em 2003. Não há construção de bases nem coleta de recursos: você comanda um contingente limitado de tropas, e cada baixa pesa. As campanhas da União Soviética, da Alemanha e dos Aliados percorrem batalhas importantes da guerra, dos primeiros meses até o fim.
Seu ponto forte é o realismo sem complicações desnecessárias. Há centenas de veículos autênticos, artilharia que precisa de observadores e caminhões de munição, infantaria que cava trincheiras e tanques com blindagem lateral mais fina que a frontal — uma emboscada bem posicionada com canhões antitanque vale mais do que uma massa de tanques. Blitzkrieg deu origem a uma série de continuações e a uma onda de imitadores. No Steam, você pode adquirir a antologia com todas as expansões, uma ótima opção para quem gosta de táticas militares sem pressa. O jogo também aparece em nossa lista dos melhores jogos da Segunda Guerra Mundial.
Despot's Game
Despot's Game é um jogo roguelike de combate automático com um senso de humor deliciosamente absurdo: um grupo de pequenos humanos nus acorda em um labirinto controlado por uma IA sarcástica. Você não controla as lutas diretamente — só recruta e equipa uma equipe de combatentes ridículos, com dezenas de classes e uma variedade de armas absurdas à disposição. Entre as batalhas, há lojas, mutações e eventos aleatórios, e seu grupo também precisa ser alimentado na hora certa para não morrer de fome. Quando você morre, começa uma nova tentativa com novas regras. A fórmula do «só mais uma» funciona sempre, e você pode enviar seu exército contra outros jogadores em partidas PvP assíncronas.
Graveyard Keeper
Graveyard Keeper , da Lazy Bear Games, é um simulador de gestão de cemitério medieval — imagine Stardew Valley, mas com um cemitério no lugar da fazenda e sem qualquer preocupação moral. O herói se vê em um mundo estranho, onde a única maneira de voltar para casa é fazer o negócio prosperar: enterrar cadáveres (ou coletá-los para obter recursos), melhorar a igreja, fazer sermões, preparar aguardente e negociar com bruxas. As cadeias de produção são complexas, o humor sombrio está por toda parte e a história, com uma caveira falante e um burro chantagista, fica na memória por muito tempo. Várias expansões grandes rendem dezenas de horas de jogo.
Punch Club
Punch Club é um jogo de gestão de lutadores impregnado do espírito dos filmes de ação dos anos 1980 e 1990: o pai do herói foi assassinado, e o caminho da vingança passa pelo ringue. Você divide seu tempo entre treinos, trabalho e vida pessoal — desenvolver a força reduz sua agilidade, enquanto ganhar dinheiro para comprar comida faz você perder os treinos de luta. Os combates acontecem automaticamente, então o que importa não são os reflexos, mas uma combinação bem montada entre dezenas de golpes. A história está repleta de referências, de Rocky e As Tartarugas Ninja à estética das fitas VHS. Punch Club tornou a Lazy Bear Games famosa antes de Graveyard Keeper e ganhou uma continuação, Punch Club 2: Fast Forward, ambientada em um mundo cyberpunk.
SnowRunner
SnowRunner é o simulador off-road mais conhecido do mundo, sucessor de Spintires, criado por um desenvolvedor russo e transformado pela Saber Interactive em uma grande franquia. Não há tiros nem corridas: só você, um caminhão carregado e uma estrada que não existe. A lama de SnowRunner se comporta como na vida real — os sulcos ficam mais fundos a cada passagem, o guincho vira seu melhor amigo e levar um gerador até uma plataforma de perfuração se transforma em uma operação de uma hora. Dezenas de veículos licenciados, mapas enormes da Rússia e da América do Norte, cooperativo para quatro jogadores e centenas de horas de conteúdo mantêm uma comunidade dedicada ativa — para ela, atolar no pântano é justamente o objetivo.
Ex Machina
Ex Machina, conhecido no Steam como Hard Truck Apocalypse, foi lançado em 2005 pela Targem Games — futura criadora de Crossout — e misturava pós-apocalipse, direção e RPG. O mundo sobreviveu a uma catástrofe, gangues percorrem o deserto em caminhões blindados e as cidades restantes se mantêm por meio do comércio. O herói é um jovem motorista que assume o volante de seu primeiro caminhão e, aos poucos, se envolve na história do que realmente aconteceu com o planeta.
A maior parte do tempo é passada na estrada: transportando cargas entre cidades, aceitando contratos, enfrentando saqueadores e comprando veículos cada vez mais pesados. Seu caminhão é montado como um brinquedo de construção — cabine, carroceria, metralhadoras e canhões em torretas —, e a configuração determina se você sobreviverá à próxima viagem de comboio. O mundo aberto e a forte inspiração em Mad Max transformaram o jogo em um título cult na Rússia e em outros lugares.
Hard Truck 2: King of the Road
Hard Truck 2: King of the Road, conhecido na Rússia como Dalnoboyshchiki 2, é o jogo do estúdio SoftLab-NSK, de Novosibirsk, que ensinou uma geração inteira de jogadores a gostar de caminhões no início dos anos 2000. É tanto um simulador de direção quanto um jogo de corrida: em um mundo aberto de cidades e rodovias, você aceita contratos, negocia cargas lucrativas, fica de olho no combustível e no estado do caminhão e tenta entregar mais rápido que os caminhoneiros rivais, que disputam o mesmo objetivo.
As estradas estão cheias de policiais rodoviários, bandidos e acidentes, e a rádio do jogo contribui muito para a atmosfera das longas viagens noturnas. O dinheiro que você ganha serve para comprar caminhões novos e melhorias. O jogo se tornou um verdadeiro clássico na Rússia, ganhou continuações e segue como referência para os fãs do gênero; muitos simuladores de caminhão modernos devem algo a ele.
IL-2 Sturmovik: Great Battles
IL-2 Sturmovik é uma série lendária de simuladores de voo que estabeleceu o padrão mundial do gênero em 2001. A linha moderna IL-2 Sturmovik: Great Battles , da 1C Game Studios, recria os combates aéreos da Segunda Guerra Mundial com precisão obsessiva: cada aeronave tem motor, sistema de refrigeração e danos a componentes individuais modelados, e os céus de Stalingrado e de outros cenários históricos são recriados a partir de mapas de arquivo. Os novatos contam com modos simplificados; os veteranos, com realismo total, em que um motor superaquecido e travado obriga a fazer um pouso de emergência em um campo. Servidores multijogador com dezenas de pilotos funcionam há anos, e o público da série está entre os mais exigentes dos games. A série continua com IL-2 Series: Korea, que abordamos em nossa análise de Korea: IL-2 Series.
CarX Drift Racing Online
CarX Drift Racing Online é um simulador de drift da CarX Technologies que se tornou um dos jogos russos mais queridos por jogadores estrangeiros. O segredo está na física: a dirigibilidade dos carros foi desenvolvida em parceria com pilotos reais da série de drift RDS GP, e você sente o carro deslizando nas mãos, esteja usando teclado, controle ou volante. Mais de cem carros, ajustes detalhados que vão do alinhamento das rodas à pintura, sessões de direção livre com amigos e o competitivo modo TOP-32 mantêm os jogadores ocupados. Milhares de pessoas pelo mundo descobriram o drift por meio de CarX e continuaram jogando por centenas de horas.
Clássicos do desenvolvimento de jogos russo
Quando os videogames russos ainda estavam dando seus primeiros passos, tinham um grande trunfo: a originalidade. Os estúdios locais não tentavam copiar os sucessos ocidentais; criavam seus próprios gêneros e cenários. Um mundo aberto em alto-mar, uma galáxia viva onde tudo acontece sem a participação do jogador, a terraformação como arma e veículos biomecânicos em mundos bizarros — esses jogos ainda não se parecem com nenhum outro. Tudo começou com Tetris, criado por Alexey Pajitnov ainda nos tempos soviéticos, e hoje é possível comprar a maioria dos jogos abaixo no Steam em edições modernas. Para conhecer mais títulos atemporais, confira nossa lista dos Melhores jogos clássicos.
Sea Dogs: City of Abandoned Ships
Sea Dogs: City of Abandoned Ships, conhecido na Rússia como Corsairs, continua navegando — literalmente. Seu mundo aberto no Caribe do século XVII permite negociar, capturar navios, invadir fortalezas e construir uma carreira que leva um capitão desconhecido a virar uma lenda dos mares. A história vai muito além do romantismo dos piratas: no centro da trama estão as intrigas das grandes potências e a busca por um artefato. Os bugs do original foram corrigidos há muito tempo por patches dos fãs, e hoje o jogo é um RPG estável que rende dezenas de horas. No Steam, a remasterização Caribbean Legend, baseada na principal versão criada pelos fãs, é a maneira mais fácil de começar. A série também continua viva — leia nossa análise de Corsairs: Battle of the Caribbean.
Space Rangers 2: Dominators
Space Rangers 2: Dominators é um dos jogos russos mais originais já feitos e continua sem igual. Em uma galáxia viva, você pode negociar, lutar no espaço aberto, completar aventuras de texto em planetas e participar de batalhas terrestres em tempo real contra os robóticos Dominators. São quatro gêneros diferentes em um só jogo, cada um desenvolvido como se fosse um título independente. E o mais importante: o universo segue em frente sem você. Enquanto fica numa estação, outros rangers destroem alienígenas, comerciantes enriquecem e piratas tomam sistemas estelares. Depois que começa, é difícil parar. No Steam, o jogo está disponível como Space Rangers HD: A War Apart, que acrescenta uma nova história focada nos piratas.
King's Bounty: The Legend
King's Bounty: The Legend , da Katauri Interactive, é a resposta russa a Heroes of Might and Magic, mas com foco na aventura em vez da construção de castelos. O cavaleiro Bill Gilbert percorre um mundo aberto, reúne um exército de criaturas que vai de gremlins a dragões e o lidera em batalhas táticas por turnos. O humor marcante, o vasto mundo e a surpreendente profundidade tática fizeram sucesso. O jogo deu origem a uma série de continuações, mas muitos ainda consideram o original o melhor. Curiosidade: a fórmula da série Heroes foi originalmente tirada de King's Bounty, de 1990. Portanto, o jogo russo de 2008 não imitou uma lenda: voltou às suas origens.
Heroes of Might and Magic V
Heroes of Might and Magic V é o capítulo da famosa série mundial desenvolvido na Rússia: o estúdio moscovita Nival Interactive criou o jogo para a Ubisoft. A fórmula clássica continua intacta — castelos de seis facções, exércitos, artefatos, ciclo semanal e batalhas por turnos em um tabuleiro hexagonal —, mas pela primeira vez em 3D completo e com um novo sistema de iniciativa, no qual criaturas mais rápidas agem com mais frequência que as lentas. A campanha conta uma história coesa ambientada no mundo de Ashan, e os fãs ainda consideram a expansão Tribes of the East um dos pontos altos da série. Para muitos jogadores, a franquia nunca mais alcançou o mesmo nível. No Steam, há uma edição completa com todas as expansões. Se quiser mais jogos nesse estilo, confira nossa lista de jogos parecidos com Heroes of Might and Magic.
Perimeter: Legate Edition
Perimeter é um RTS da K-D Lab, de Kaliningrado, que estava uns 20 anos à frente de seu tempo quando foi lançado, em 2004. O principal recurso do jogo é o próprio terreno: você o nivela, escava e eleva, pois só é possível coletar energia em áreas perfeitamente planas. O segundo pilar é o próprio perímetro, uma cúpula de energia que pode tornar sua base impenetrável, mas consome mais energia do que você jamais terá. Em vez de quartéis, há nanotecnologia: unidades básicas se reorganizam em novas formas no próprio campo de batalha. O mundo surreal de Spanje e uma história filosófica sobre o êxodo da humanidade fazem do jogo algo único. No Steam, você pode jogar a versão atualizada Perimeter: Legate Edition.
Vangers
Vangers é o jogo mais estranho já criado por desenvolvedores russos e talvez a obra mais ousada da K-D Lab, que mais tarde faria Perimeter. Lançado em 1998, ainda é difícil de descrever: mistura corrida, ação, comércio e interpretação de papéis numa série de mundos interligados, povoados por criaturas bizarras. Você é um vanger, o piloto de um mechos, um veículo biomecânico vivo, e viaja entre mundos por passagens que se abrem segundo seu próprio ciclo.
O mundo segue regras que, a princípio, não fazem sentido; os habitantes falam sua própria língua e gírias, e as missões são entregues como se você já soubesse de tudo. Cabe a você entender as coisas por conta própria, e é aí que está a magia: Vangers parece menos um jogo e mais um universo alienígena em que você caiu por acidente. Chegou ao Steam em 2014, e ainda há uma comunidade reunida em torno dele, tentando desvendar seus segredos.
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A indústria russa de jogos está muito viva. Desenvolvedores talentosos continuam criando ótimos jogos, de gigantes como Owlcat e Mundfish a criadores independentes que fazem sucesso por conta própria. O problema é que apenas uma pequena parcela desses projetos recebe atenção. Esperamos que esta lista ajude a mudar isso. Se você gosta do estilo único da região, também vai gostar da nossa lista dos melhores jogos indie estranhos do Leste Europeu.
Perguntas frequentes sobre jogos russos
Quais são os melhores jogos russos de todos os tempos?
Entre os jogos mais citados como os melhores da Rússia estão Atomic Heart, a duologia Pathfinder e Warhammer 40,000: Rogue Trader, da Owlcat Games, além de Pathologic 2, Escape from Tarkov, Black Book, Loop Hero e MiSide. Entre os clássicos, destacam-se Space Rangers 2, Sea Dogs (Corsairs), Heroes of Might and Magic V e King's Bounty: The Legend.
Por que os jogos russos fazem sucesso no exterior?
Jogadores do mundo todo se interessam por cenários incomuns, atmosferas densas e mecânicas desafiadoras, que vão da URSS retrofuturista de Atomic Heart ao folclore eslavo de Black Book e à cidade assolada pela peste de Pathologic. Os jogos russos raramente copiam fórmulas alheias, o que os ajuda a se destacar entre os blockbusters de grande orçamento.
Metro e S.T.A.L.K.E.R. são jogos russos?
Não. S.T.A.L.K.E.R. foi criado pela GSC Game World, e a série Metro, pela 4A Games; os dois estúdios foram fundados em Kyiv, na Ucrânia. Os jogos Metro são baseados nos romances do escritor russo Dmitry Glukhovsky, por isso são frequentemente confundidos com jogos russos. Mas os desenvolvedores são ucranianos, então nenhuma das séries aparece nesta lista.
World of Tanks é um jogo russo?
World of Tanks e World of Warships foram criados pela Wargaming, empresa fundada em Minsk, Belarus. Depois que a Wargaming saiu da Rússia, em 2022, as versões russas desses jogos seguiram caminhos separados como Mir Tankov e Mir Korabley, operadas pela Lesta Games. Para o público internacional, continuam sendo títulos da Wargaming, por isso não fazem parte desta lista.
Quais jogos russos gratuitos posso jogar?
Vários dos maiores jogos russos são gratuitos: War Thunder, Crossout, Allods Online e STALZONE. Entre os jogos para um jogador, a visual novel Everlasting Summer é totalmente gratuita no Steam.
Quais jogos russos posso jogar com amigos?
Há modo cooperativo em Warhammer 40,000: Space Marine 2, World War Z, 9 Monkeys of Shaolin, Voidtrain e SnowRunner. Para grupos maiores, experimente os jogos online War Thunder, Crossout, Escape from Tarkov e STALZONE.
Quais jogos russos rodam em um PC fraco?
Um computador modesto não é problema: Loop Hero, Punch Club, Beholder, ATOM RPG, The Mooseman, 7th Sector, Everlasting Summer, Tiny Bunny, Vangers e Space Rangers HD rodam bem até em computadores de escritório e laptops sem placa de vídeo dedicada.
Qual é seu jogo russo favorito e qual você acha que o mundo ainda subestima? Conte para a gente nos comentários.
O que mais jogar
Nem todo jogo russo de destaque entrou na lista principal. Alguns foram prejudicados por bugs, balanceamento irregular ou um lançamento conturbado. Mas ainda é cedo para descartá-los: os estúdios russos raramente abandonam seus projetos, e Broken Arrow prova isso — depois de um começo difícil, os desenvolvedores se comprometeram a reformular o jogo profundamente, em vez de partir para um novo anúncio. Pense nesta seção como o banco de reservas: os jogos abaixo poderiam facilmente entrar na lista principal depois de alguns patches grandes. Veja o que os impede e quem já pode gostar deles.
Of Ash and Steel
Of Ash and Steel é uma versão russa de Gothic, criada pelo estúdio Fire & Frost: um mundo aberto sem marcadores de missão, dificuldade implacável desde os primeiros minutos e a sensação de estar numa ilha medieval viva. O jogo foi lançado com bugs e recebeu críticas divididas, por isso aparece aqui, e não na lista principal. Mas, se as falhas não assustam você e sente falta dos antigos RPGs da Piranha Bytes, vale a pena experimentar. Os desenvolvedores continuam lançando patches.
Broken Arrow
Broken Arrow é um wargame militar de grande escala sobre conflitos modernos: dezenas de tipos de unidades, mapas enormes e forte ênfase em tática e armas combinadas. O lançamento teve problemas, e os desenvolvedores anunciaram uma grande reformulação do balanceamento e dos sistemas. Vale a pena ficar de olho: o jogo tem potencial, e o estúdio claramente não desistiu dele.
The Wild Eight
The Wild Eight é sobre sobreviver à queda de um avião na região selvagem e nevada do Alasca. Caçar para conseguir comida, fabricar itens, se abrigar do frio e lidar com criaturas estranhas na floresta: todos os elementos clássicos do gênero estão aqui. E o silêncio branco pesa tanto que cada esconderijo de suprimentos encontrado parece uma pequena vitória. Falta polimento ao jogo, e os estágios finais costumam ser criticados pela repetição, mas, no cooperativo com um grupo de amigos, ainda pode render algumas ótimas noites.
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