Análise de Memory Wastes: um RPG de texto gratuito para fãs de Fallout
5.8Não é segredo que a série Fallout tem suas raízes nas aventuras de texto e nos jogos de tabuleiro, nos quais os jogadores escolhem como agir nos diálogos e nas situações do jogo. Na verdade, praticamente todo RPG moderno surgiu dessas aventuras de texto e desses jogos de tabuleiro; conforme a tecnologia avançou, uma camada visual foi simplesmente adicionada ao sistema de interpretação de papéis.
Vamos imaginar como seria Fallout hoje em uma aventura de texto: manter as missões e o sistema de interpretação de papéis, mas eliminar os gráficos 3D, a movimentação do personagem pelo mapa e a mira durante o combate. Talvez tenha sido exatamente assim que o desenvolvedor de Memory Wastes concebeu o projeto: um RPG indie baseado em texto, com combate por turnos, que decidimos experimentar em um ataque de nostalgia pela sobrevivência em terras devastadas e inóspitas.
Plataforma: PC (Ryzen 7 8700F, NVIDIA RTX 5060, 32 GB de RAM);
Tempo de jogo: 2 horas.
Amnésia nas terras devastadas
Memory Wastes é distribuído no modelo free-to-play: o jogo base é gratuito, mas tem recursos limitados, enquanto a versão completa, sem restrições, precisa ser comprada. Esse modelo é mais comum em jogos para celular, e não é por acaso: Memory Wastes foi lançado originalmente em plataformas móveis e só depois recebeu uma versão para PC.

As raízes do jogo em dispositivos móveis ficam evidentes logo na tela principal. Ela é dividida em três partes iguais, dimensionadas exatamente para a tela de um smartphone. A coluna da esquerda é fixa — mostra o retrato e o inventário do personagem selecionado; a do meio é a principal — é nela que você conversa com NPCs, luta e procura itens; e a da direita é opcional — serve para negociar e se orientar no mapa.
O mundo do jogo foi assolado por uma Catástrofe, como é tão comum em jogos pós-apocalípticos. Os sobreviventes da humanidade se dividiram em facções que vivem nas terras devastadas, enquanto estradas e ruínas são tomadas por zumbis, robôs hostis e animais e plantas mutantes.
O protagonista desperta nesse mundo e percebe que não se lembra de nada e não sabe coisa alguma sobre ele. É preciso viajar entre os assentamentos pelo mapa, trabalhando como mensageiro e assassino de aluguel, enquanto reúne registros para o arquivo que revelam a causa da Catástrofe.
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Morto por um cacto carnívoro
O núcleo da jogabilidade de Memory Wastes é o combate por turnos, com uma chance aleatória de causar e receber dano. O mapa indica quantos dias são necessários para viajar do ponto A ao ponto B. No caminho, o jogador encontra inimigos e objetos para saquear — caminhões abandonados, casas em ruínas e corpos de pessoas mortas. Também há mecânicas para arrombar cofres e portas (o que exige ferramentas) e hackear terminais por meio de um minijogo.

Você pode tentar fugir de qualquer inimigo, mas, em geral, não dá para contar com uma fuga bem-sucedida. Não há rolagens de dados no jogo: ao apertar o botão, seu ataque acerta o inimigo ou não, de acordo com uma probabilidade desconhecida. Armas mais poderosas, como um fuzil de assalto, naturalmente causam mais dano, mas ninguém está a salvo de errar, por exemplo, três vezes seguidas. Por isso, você pode morrer até em uma luta contra um abutre.
A morte no jogo é permanente. O jogador volta ao menu principal e precisa começar tudo de novo. Nesse sentido, o jogo lembra os roguelites clássicos: os inimigos e os itens encontrados nos caminhos são gerados aleatoriamente, e é possível conservar parte do saque das partidas anteriores. É a mecânica de morte permanente que define a dificuldade: na versão gratuita, os registros coletados sobre o mundo e o saque são perdidos após a morte (ao contrário da versão paga), então chegar ao fim do jogo se torna quase impossível — os inimigos adoram atacar em “grupos”, vários de uma vez, e os kits médicos curam muito pouco. Resultado: de volta ao início, tente outra vez.
O que realmente não tem nada de aleatório são as missões e as conversas com os NPCs. Cada assentamento tem três personagens com quem conversar: um negocia, outro conta sobre o mundo e acrescenta informações ao diário do jogador, e o terceiro oferece a próxima missão.

O que você mais valoriza em RPGs por turnos?
***
Memory Wastes é uma espécie de viagem ao passado do desenvolvimento de jogos. De volta à época em que o texto corria pela tela e a imaginação do jogador preenchia todo o resto — paisagens desérticas, monstros aterrorizantes e ruínas majestosas. Memory Wastes não se compara aos jogos Fallout em profundidade narrativa e variedade de escolhas, mas pode agradar aos fãs da “velha guarda” por seu minimalismo e suas mecânicas simples. Meia hora explorando as terras devastadas todas as noites — e você estará pronto para mergulhar nos dois primeiros jogos Fallout.


