Análise de Valheim 1.0 — O capítulo final de uma obra-prima do sandbox de sobrevivência
7.8Após cinco anos em Acesso Antecipado, Valheim foi lançado na versão completa. A desenvolvedora Iron Gate levou ao fim a fórmula que conquistou os jogadores, adicionando o último bioma principal, um novo chefe, armas, armaduras, criaturas, peças de construção e vários sistemas novos.
Mas isso basta para dizer que Valheim está realmente pronto? Veja o que mudou na versão «um ponto zero», qual é o tamanho da atualização final e se o jogo manteve aquela sensação de aventura que conquistou milhões de jogadores.
Plataforma: PC (Ryzen 5 7500F, NVIDIA RTX 4070 Ti Super (16 GB), 32 GB de RAM);
Tempo de jogo: 21 horas na versão 1.0; mais de 300 horas no total desde o Acesso Antecipado.
Requisitos do sistema
Mínimos: Quad-Core de 2,6 GHz, NVIDIA GeForce GTX 950 (2 GB) / AMD Radeon HD 7970 (3 GB), 8 GB de RAM, 1 GB de espaço em disco;
Recomendados: Intel Core i5 / AMD Ryzen 5, NVIDIA GeForce GTX 1060 (3 ou 6 GB) / AMD Radeon RX 580 (4 GB), 16 GB de RAM, 1 GB de espaço em disco.
Por que os jogadores se apaixonaram por Valheim
O sucesso de Valheim se deve, em grande parte, à combinação bem dosada de mecânicas conhecidas. O jogo parte dos fundamentos do gênero de sobrevivência, mas não transforma a sobrevivência numa luta constante contra a fome e a falta de recursos. Há espaço para construir, combater e simplesmente descansar na sua base. A escala do mundo também importa: a exploração ocupa uma boa parte do tempo de jogo.
O modo cooperativo intensifica esse efeito: com amigos, tarefas rotineiras viram histórias compartilhadas, e construir uma base ou se preparar para uma expedição fica ainda mais divertido. Além disso, Valheim é relativamente leve para o hardware e tem um estilo visual marcante. Assim, conquistou tanto fãs do gênero de sobrevivência quanto jogadores que normalmente sentem falta de liberdade, atmosfera e aventura nesse tipo de jogo.
O sistema de progressão merece destaque à parte. Os jogadores ganham novas opções o tempo todo, mas o jogo raramente os obriga a seguir um único caminho. Derrotar um chefe libera novos territórios, materiais e receitas, mas o que fazer em seguida continua em aberto — não faltam opções. Por isso, até atividades rotineiras como construir, caçar ou coletar recursos não parecem tarefas obrigatórias: elas passam a fazer parte da preparação para a próxima jornada.
A atmosfera e o cenário escolhido pela desenvolvedora também têm um papel importante. O mundo de Valheim combina condições severas com momentos surpreendentemente tranquilos: depois de uma longa expedição, é bom voltar para casa, acender a lareira e se preparar para a próxima saída. É esse contraste entre uma jornada perigosa e uma base aconchegante que dá ao jogo seu ritmo característico. Você não está apenas sobrevivendo nesse mundo — está, aos poucos, fazendo dele o seu lar.
Deep North
A maior novidade da versão lançada é o bioma Deep North. É o último da cadeia de progressão e dá continuidade à tradição de Valheim de transformar o próprio ambiente em parte da jogabilidade: a neve local se torna um elemento central da interação dos jogadores com o mundo.
Os montes de neve dificultam a construção — para removê-los, é preciso usar uma pá especial. A neve também pode se acumular nos telhados e destruir estruturas sem reforço. Por outro lado, as novas peças de construção facilitam erguer bases nessas terras: há, por exemplo, telhados inclinados que impedem o acúmulo de neve.
O gelo também influencia a jogabilidade: os pequenos lagos do bioma e as águas costeiras ficam cobertos por uma camada espessa que se torna um grande obstáculo para os navios. O gelo também é escorregadio, fazendo seu personagem perder o impulso e ter dificuldade para mudar de direção — o que torna os combates perto da costa bem mais complicados.
Assim como nas Montanhas, Deep North está sempre sob o efeito do frio extremo. Para sobreviver ali, é preciso usar hidromel de resistência ao frio ou capas do fim do jogo. Tempestades de neve intensas também chegam periodicamente, reduzindo a visibilidade a quase zero.
O chefe final
O grande ápice da progressão do jogo é o novo chefe, Kall Fimbulbringer — um Jotun gigantesco e ameaçador. Ao contrário dos chefes anteriores, que podiam ser invocados levando recursos até um altar, invocar Kall exige completar uma sequência inteira de desafios.
Primeiro, você precisa visitar três masmorras e encontrar moldes especiais para fundir chaves. Depois, é preciso fabricá-las, avançar até áreas antes inacessíveis, limpá-las e destruir blocos de gelo. Quando os três blocos forem destruídos, começa uma invasão intensificada de Jotuns — os jogadores precisam enfrentar ondas de gigantes agressivos para coletar o sangue deles. Esse sangue deve ser levado ao altar principal de Deep North, que abre um portal para uma área separada onde o chefe final aguarda.
As invasões de Jotuns, aliás, tornaram-se uma mecânica recorrente, junto com as incursões de outras criaturas que já existiam no jogo. Agora, os Jotuns também podem atacar outros lugares, levando tempestades de neve até áreas mais quentes.
Um novo sistema de progressão e equipamentos

A versão completa adiciona um novo sistema de progressão: a Forge of Potential. Ela acrescenta mais uma camada à progressão dos equipamentos e permite que os jogadores continuem aprimorando suas peças até bem avançados no jogo.
O sistema de aprimoramento funciona como o encantamento de um MMO: quanto maior o nível do encantamento, menores as chances de sucesso na tentativa seguinte. Se falhar, o item pode ser destruído — desfeito em seus materiais básicos de criação, com todos os recursos investidos e aprimoramentos anteriores perdidos para sempre. Antes do lançamento, a progressão dependia sobretudo de passar para o próximo nível de materiais. O novo sistema dá aos jogadores um incentivo extra para continuar aprimorando os equipamentos mesmo depois de avançar bastante.
Uma das melhorias de qualidade de vida mais úteis envolve o inventário: certos itens novos permitem aumentar o número de «bolsos» virtuais do personagem. No papel, pode não parecer grande coisa, mas na prática muda bastante o ritmo do jogo. Antes, o inventário limitado obrigava a voltar à base com frequência; agora, dá para reduzir essas idas e vindas.
Também há um novo gancho de escalada, especialmente útil nas Mistlands, onde o terreno acidentado dificulta a locomoção.
Novas criaturas, armas e construções
Deep North está repleto de novas criaturas, hostis e pacíficas. Entre elas, o Gammeltroll se destaca: depois de morrer, seu corpo se transforma numa estátua petrificada, e quebrá-la fornece um material especial necessário para avançar no novo bioma.
Quem gosta de criar animais vai se alegrar com o alce, que pode ser domesticado e usado como montaria. Ele tem bastante vigor e vida, além de um poderoso ataque que arremessa os inimigos para longe. O alce é ideal para atravessar os montes de neve e ajuda você a reagir a tempo aos perigos desse bioma rigoroso do fim do jogo.
O sistema de construção também ganhou um conjunto inteiro de peças adicionais: novos tipos de madeira, blocos de gelo, vigas, pilares, portões, pontes, cercas e uma série de elementos decorativos.

A versão completa também dá continuidade ao desenvolvimento do sistema de magia: novos cajados trazem mais opções de ataques à distância, defesa e invocação de criaturas. O sistema de classes continua igual: seu estilo de jogo depende dos equipamentos, não de uma escolha feita no início. Isso permite trocar de especialização a qualquer momento, conforme a situação.
Agora há também mais conteúdo narrativo: uma nova cena de abertura e cenas adicionais conforme você avança. Isso ajuda a versão final a destacar melhor a jornada do começo ao fim. Mesmo assim, Valheim não se transforma num RPG centrado na história — a narrativa principal continua se desenrolando pela exploração, pelo ambiente e pelas ações do jogador.
Problemas antigos
Ainda assim, a versão completa não resolve os problemas antigos. Gerenciar o inventário continua exigindo bastante trabalho manual: organizar recursos e cuidar dos baús toma muito tempo. Ainda não há um sistema adequado de criação automática que use itens guardados nas proximidades.
As restrições dos portais também continuam valendo: não é possível transportar livremente metais pesados por eles. Isso faz com que expedições longas exijam navios e logística cuidadosa. Para alguns jogadores, essa é uma parte importante da atmosfera; outros acham que só serve para esticar artificialmente a duração do jogo.

O sistema de combate não evoluiu de verdade e continua bem básico. Há bloqueios, aparos, esquivas, diferentes tipos de dano e particularidades de cada arma. Mas, em termos de profundidade, fica muito aquém tanto dos jogos de ação dedicados quanto de alguns concorrentes do gênero.
A geração procedural cria espaços enormes, mas nem todas as partes do mapa têm a mesma quantidade de eventos e pontos de interesse. Construir pode ser satisfatório e frustrante ao mesmo tempo: leva um tempo para se acostumar com a física das construções, e posicionar certas peças pode ser bastante complicado.
No fim das contas, ainda há muita repetição e coleta de recursos — uma quantidade absurda. Até a caça inicial a javalis para conseguir peles úteis consome horas de tempo real, sem falar nas etapas mais avançadas do jogo.
Quais são seus pensamentos sobre o lançamento do Valheim 1.0?
***
A versão completa de Valheim não tenta reinventar o jogo. A Iron Gate expande um sistema que já funciona e o leva à sua conclusão lógica. Deep North encerra a sequência de biomas, o novo chefe fecha a progressão principal, as novas armas e magias ampliam suas opções de combate, e as melhorias de inventário reduzem algumas tarefas repetitivas. Novas criaturas, recursos e peças de construção abrem mais espaço para a exploração e a criatividade.
Ao mesmo tempo, as antigas limitações não desapareceram por completo. A logística dos recursos continua exigente. A interface pode causar dúvidas. O combate não pretende ter a escala de um RPG de ação completo. E o mundo gerado proceduralmente acaba ficando previsível.
Valheim continua sendo um sandbox de sobrevivência muito sólido, e sua versão final é, essencialmente, o toque de acabamento na proposta que a desenvolvedora escolheu desde o início. Se você já gostava do jogo, vai passar com prazer dezenas de horas a mais de aventura na versão completa. Mas, se ele cansou você ou pareceu pouco complexo, não espere que isso tenha mudado de forma significativa.







