Jogos cooperativos têm conquistado cada vez mais o cenário midiático nos últimos anos, e graças ao boca a boca — mídias sociais, streamers e criadores de conteúdo — continuam atraindo mais jogadores. Infelizmente, porém, muitos deles acabam sendo "um sucesso de uma só vez": um lançamento forte e um grande número de jogadores simultâneos não significam necessariamente que um jogo realmente merece sua atenção. É o que acontece com a onda interminável de jogos no estilo de Lethal Company — eles fazem sucesso no lançamento, mas são esquecidos em poucas semanas, principalmente por causa de conteúdo escasso, repetitividade e falta de suporte contínuo por parte dos desenvolvedores.
Quando ouvi falar pela primeira vez sobre Big Walk, imaginei que fosse exatamente esse tipo de jogo — "viral" de forma injusta e, provavelmente, esquecível. Na realidade, porém, acabou sendo... bem, você já viu no título, mas vamos falar dos detalhes de qualquer forma.
Plataforma: PC (Ryzen 5 7500F, NVIDIA RTX 4070 Ti Super, 32 GB de RAM);
Tempo para completar: 9 horas.
Requisitos do Sistema:
Mínimo: Intel Core i7-7700K ou AMD Ryzen 5 1600X, NVIDIA GeForce GTX 750 TI (2 GB) ou AMD Radeon R7 370 (2 GB) ou Intel Arc A380 (6 GB), 12 GB de RAM, 10 GB de espaço disponível;
Recomendado: Intel Core i5-10600K ou Ryzen 7 3700X, NVIDIA GeForce GTX 1070 (8 GB) ou Radeon RX 5600 XT (8 GB) ou Intel Arc A750 (8 GB), 16 GB de RAM, 10 GB de espaço disponível.
Chat de Voz, Gestos e Ferramentas
Vale destacar que Big Walk vem do House House, a equipe que trouxe ao mercado a joia indie Untitled Goose Game — um jogo sobre caos, absurdo e travessuras. O novo projeto deles é o oposto: calmo, ponderado, coeso e com uma atmosfera quase meditativa.
Big Walk não possui uma história no sentido tradicional. Os jogadores, assumindo o papel de personagens engraçados semelhantes a formigas, aparecem em um campo de treinamento sem uma cena de abertura, sem explicações e nem mesmo um objetivo específico. Tudo o que eles têm é comunicação por voz através de um chat de proximidade embutido, gestos e, claro, uma sensação crescente de curiosidade.
O jogo não explica suas regras — ele as demonstra ativamente através do ambiente. Sinais com dicas de controle estão espalhados pelas paredes, e de vez em quando você encontrará mecanismos simples com botões e alavancas — o "campo de treinamento" inicial naturalmente ensina aos jogadores tudo o que eles irão interagir ao longo do jogo.
Ferramenta principal de Big Walk é a comunicação. O chat de voz embutido funciona com tecnologia de áudio espacial: as vozes desaparecem com a distância, ecoam dentro de cavernas e ficam distorcidas através de walkie-talkies. A mecânica em si não é nova e é bastante utilizada por muitos jogos cooperativos, mas este desenvolve a ideia ainda mais e a aplica de maneiras inovadoras.
Outro detalhe importante é o sistema de gestos. Aqui, você pode controlar cada mão individualmente: afastá-las, levantá-las, e assim por diante. E isso não é apenas um detalhe de imersão — é uma mecânica que se torna parte integrante da resolução dos quebra-cabeças no jogo.

O terceiro "pilar" de Big Walk é sua ampla variedade de ferramentas. Algumas são bastante práticas, como um radar que destaca objetos interativos, ou uma lanterna; outras são opcionais, mas intrigantes, como apontadores laser e walkie-talkies. Notavelmente, dois walkie-talkies não podem ser ligados diretamente um ao outro — apenas a receptores especiais, que estão espalhados abundantemente pelo mapa.
E, finalmente, o último elemento-chave do gameplay é caminhar — o próprio título praticamente revela isso. Mas não é apenas caminhar no vácuo; é uma jornada adequada de um ponto a outro, envolvendo leitura de um mapa, uma bússola e marcos espalhados pelo terreno. Estruturalmente, Big Walk é uma grande ilha repleta de pontos de interesse, e traçar uma rota inteligente entre eles sem se perder é uma espécie de arte. Não há dicas, destaques interativos ou marcadores — mas há uma enorme sala de cartografia que acompanha o progresso dos jogadores. Para terminar o jogo, você precisa ser capaz de navegar pelo espaço, planejar rotas e memorizá-las.
Há um lado negativo nisso tudo: você fará muita caminhada — muita — frequentemente voltando pelos mesmos caminhos várias vezes. Isso pode não agradar a todos.
Ilha, "Pears" e Keys
A área inicial, construída ao redor de um grande centro, é basicamente uma extensão do tutorial, guiando os jogadores por um percurso de obstáculos e apresentando os objetivos principais do jogo. Esses objetivos resumem-se em: resolver uma série de quebra-cabeças para ganhar ativadores especiais de "Pear", como recompensa; entregá-los a um ponto-chave, geralmente uma torre; pegar uma chave e afiá-la passando por uma cadeia de mecanismos especiais; e abrir algo que antes estava trancado — uma passagem, um sistema ou um ponto de viagem rápida. Este último inclui um funicular, um monotrilho e uma rede de túneis subterrâneos que percorrem toda a mapa.
Depois de resolver os primeiros quebra-cabeças e conseguir uma chave, os jogadores ganham liberdade, embora condicional e um pouco limitada: não há uma rota fixa pelo jogo. Big Walk possui um ciclo dinâmico dia-noite, e as noites aqui são muito escuras — mover-se sem uma fonte de luz torna-se extremamente difícil. Felizmente, grandes lanternas esféricas estão espalhadas por todos os locais, e você pode carregá-las com você.

Cada jogador só pode carregar um objeto por vez: uma lanterna, uma ferramenta ou uma "Pêra". Mas um pouco mais tarde, em locais especiais, você descobrirá acessórios dedicados, como mochilas e tiras de cinto, que permitem anexar itens extras.
Os visuais do jogo também merecem destaque. Os personagens são engraçados, arredondados, quase caricatos. O mundo ao redor deles, porém, é detalhado e realista, com vegetação viva e iluminação dinâmica. No geral, os gráficos são bastante simples, e o maior incômodo é o anti-aliasing de baixa qualidade. Ainda assim, Big Walk certamente tem seu charme próprio.
A otimização mediana também merece uma pequena reclamação. Apesar dos requisitos recomendados modestos, Big Walk pode ser bastante exigente. Não encontrei problemas óbvios no meu PC, mas o amigo com quem joguei frequentemente reclamava de taxas de quadros baixas e travamentos.
Mas todas essas pequenas falhas parecem insignificantes diante do principal ponto forte do jogo.
Quebra-cabeças sem spoilers
A principal característica que torna Big Walk uma venda valiosa é seus quebra-cabeças meticulosamente elaborados, construídos inteiramente em torno da interação cooperativa. Você não consegue terminar este jogo sozinho — apenas com companhia (até doze amigos).
E aqui estou eu andando em uma corda bamba, porque explicar a lógica exata por trás desses quebra-cabeças tiraria dos leitores parte da experiência valiosa que Big Walk oferece. Então, aqui está como vamos lidar com isso.
A maior parte dos quebra-cabeças aqui é construída em torno de "fragmentar" as informações necessárias para resolvê-los (ou dividir as ações) — na maioria das vezes, é uma senha composta por uma sequência de símbolos. Um jogador (ou grupo de jogadores) recebe o código, e o outro recebe o painel onde deve ser inserido. E o primeiro jogador precisa transmitir esse código — por todos os meios incomuns, nem sempre óbvios — ao segundo jogador.

Dependendo da situação, tudo é colocado à disposição: voz, som, ferramentas, gestos, o ambiente. A quantidade de condições e peculiaridades incorporadas nos quebra-cabeças do jogo é impressionante. Eles raramente se repetem e aumentam gradualmente em complexidade, incentivando os jogadores a máxima cooperação e coordenação.
A coisa mais parecida com Big Walk por aí é a série We Were Here, com a diferença de que Big Walk troca locais apertados e fechados por uma grande ilha que você pode explorar livremente. Muitas vezes, será necessário estabelecer um sistema de comunicação específico e pré-acordado usando as ferramentas disponíveis — e funciona lindamente. Se toda essa configuração te atrai e você planeja jogar o jogo, recomendo fortemente pular o restante desta seção e ir direto para a próxima. Assim, sua primeira experiência com o jogo será mais completa e não será estragada por detalhes aparentemente inofensivos. Para quem quer mais, aqui estão alguns exemplos concretos.
Cenário: há uma parede entre vocês. Um jogador tem um conjunto de alto-falantes tocando diferentes melodias e sons, dos quais precisa montar uma sequência. O outro jogador tem exatamente essa sequência. Seu único canal de comunicação é um microfone embutido na parede. Boa sorte!

Você já tentou descrever uma melodia para um amigo? Para nós, virou uma confusão de "doot-doots", "bam-bams" e "clang-clangs", tudo entrelaçado com risadas e piadas.
Segundo cenário: uma plataforma em uma montanha alta com vários telescópios apontados para pontos específicos que contêm dicas. Também há um espaço para colocar peças que representam figuras em diferentes poses. O trabalho de um jogador é correr até cada ponto, ler as dicas e usar gestos para mostrar ao segundo jogador, que está assistindo pelos telescópios, quais peças específicas precisam ser colocadas na entrada.
E mais uma: uma cadeira com fones de ouvido que bloqueiam o ruído ambiente, além de vários microfones de dois canais. Um jogador se senta na cadeira e coloca os fones. O outro passa pelos microfones, dizendo qualquer coisa em cada um, para que o primeiro jogador descubra quais microfones estão "travando" — som vindo apenas de um canal, esquerdo ou direito.

Big Walk também apresenta outros tipos de quebra-cabeças, como aqueles em que você precisa ativar dois interruptores ao mesmo tempo, localizados longe um do outro. Mas primeiro, você precisa realmente encontrar esses interruptores, pois geralmente estão escondidos de forma engenhosa. Também há quebra-cabeças baseados em encontrar coordenadas: aqui você precisará de um mapa e de uma ferramenta especial que exibe latitude e longitude.
E às vezes, o jogo simplesmente pede que você... espere. Você fica preso em uma sala pequena com sofás confortáveis e um grande monitor com um cronômetro. Tudo o que você precisa fazer é esperar o tempo estipulado. É uma escolha de design discutível, com certeza. Mas nós realmente nos envolvemos: sentados lá, conversando sobre tópicos aleatórios, contando piadas e desabafando sobre o que estiver na nossa cabeça.
O Final e Segredos
Apesar de não ter uma história direta, o jogo possui uma certa linha condutora: as personagens precisam alcançar uma estrutura esférica enorme escondendo um estranho e atraente artefato no interior. Para isso, você precisará ativar progressivamente cada torre e coletar todas as chaves que conseguir.
No final, os jogadores enfrentam o teste máximo de trabalho em equipe — será necessário colocar em prática todo o conhecimento, habilidade e técnica de cooperação adquiridos ao longo do jogo.
O final principal não é o único, também há um final bônus: para desbloqueá-lo, você precisa coletar todas as "Peras" da ilha e entregá-las a um edifício especial.
Todo desafio em Big Walk pode ser superado com apenas dois jogadores. Foi assim que joguei, junto com um amigo próximo, e parecia a melhor maneira de aproveitar toda a variedade de conteúdo oferecido. Assim, os jogadores não perdem nem uma fração do conteúdo, e a jogabilidade acaba sendo mais rica e completa. Quanto mais participantes se juntam ao processo, mais caótica e imprevisível a jogabilidade tende a se tornar — embora isso seja apenas uma suposição minha.
O único colecionável em Big Walk, além das "Peras" relacionadas à missão, é um conjunto de faixas musicais que você pode ouvir através de um rádio portátil — outro detalhe agradável para a atmosfera.
O que você acha de jogar com amigos?
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Big Walk é uma ótima aventura cooperativa para algumas noites, talvez três (ou mais, dependendo do seu ritmo). Não é algo revolucionário ou que desafie gêneros, mas é um jogo bem feito e distinto, que combina mecânicas de outros títulos populares enquanto encontra novas soluções próprias. Se você procura uma forma de relaxar, rir e exercitar o cérebro com enigmas realmente inteligentes com amigos, este não pode faltar de jeito nenhum. Os pequenos problemas técnicos, sejam eles gráficos, de áudio (por exemplo, não há como ajustar o volume da voz dos seus amigos) ou outros, sem dúvida, ficam em segundo plano diante da impressão que a experiência final deixa.





